Por causa do caso do enforcamento (há
um ano em Faro) da bandeira do licenciado em artes visuais Élsio Menau (bem) absolvido
pelo Ministério Público, porque precisava de colar as biqueiras de umas
sapatilhas, vi-me envolvido numa discussão que decorria no espaço (exíguo) da
oficina (super-rápido) de calçado do senhor Manuel.
Entre apoiantes da decisão de julgar
(e condenar) o artista, e um bêbado daqueles que vai para o porta do tasco,
antes de ele abrir, como se de um centro de saúde se tratasse, que (já muito)
languidamente dizia, “se eu tivesse dinheiro comprava uma bandeira, limpava o
cú com ela e queria ver se a GNR me levava preso”, risada geral e alguém
alvitrou, “vai-te foder, apanhavas logo uma nassa, e mandavas a bandeira pró
caralho”. O senhor Manuel é um portista (como eu) ferrenho, mas como também é um democrata permite a permanência de adeptos de outros clubes, suporta mesmo a presença de mouros ferrenhos como o meu amigo de longa data, o Vaz.
Naquela casa fala-se livremente de tudo, o tema dominante é o futebol, mas também se discute política, gastronomia (porque ali come-se bem e barato, acolá era bom mas agora está fraquito), comenta-se o falecimento de alguma pessoa, e aprecia-se a forma física das “lascas” que passam, entre outros assuntos que agora não me ocorrem.
Mas voltemos ao assunto da bandeira senão nunca mais saio daqui…
Como pode alguém ser condenado por “enforcar” uma bandeira quando o senhor Presidente a hasteou de pernas para o ar na Câmara de Lisboa? Quando em 2004, aquando do campeonato europeu de futebol, o país foi inundado por bandeiras “made in China” que no lugar de castelos exibiam pagodes? Em 2013 o primeiro-ministro esteve no méxico e atrás dele viu-se uma falsificada, cagou no assunto, e agora queriam prender um artista que só desejava, com a sua arte, denunciar um estado de alma?

Agora estou feito, sempre que passo, a pé, ou de carro, pelo borrachão ele grita sorrindo, “É UM PAGODE”!