terça-feira, 31 de julho de 2012

ERMIDA REBELO (assinalado na foto)


Assim se chama o médico mentiroso (militante PSD) administrador do Hospital de Viseu, disse que não foi retirado o suplemento alimentar noturno aos doentes (internados) diabéticos, foi desmentido, das 19 às 8 ninguém come no Hospital S. Teotónio.
Foi ainda ele quem disse que o hospital apresentava um saldo positivo na ordem dos 3,45 milhões de euros positivos, quando na realidade o passivo pode chegar aos 11 milhões.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

CONTINUA A MORRER-SE NA “PRAIA DOS TESOS”.


Teria eu os meus 5 anitos (que me recorde) quando fui pela primeira vez à Praia do Areinho de Oliveira do Douro, nesses tempos a praia era concessionada a uma tal Zenga, tinha uma prancha para se saltar para a água, barracas, zona vigiada de banhos, e banheiro (nadador salvador), estávamos nos anos 60 do século passado.
A nascente, onde hoje passa a Ponte do Freixo, fazia-se extração de areia, ao fim de semana os trabalhos paravam e era precisamente nesses dias (sábados e domingos) que a afluência de público era maior, devido aos buracos feitos para tirar a areia os fundos eram irregulares, por muito que avisassem havia sempre quem desrespeitasse, resultado, era rara a época balnear que não se afogasse lá gente.
Com o passar do tempo e a melhoria das condições sociais da população as praias fluviais foram sendo abandonadas pelos frequentadores habituais que passaram a rumar à orla marítima.
Como um barómetro, as praias do rio registam mais ou menos afluência conforme a situação económica das pessoas esteja melhor ou pior, já o ano passado tinham muita gente, este ano têm mais ainda, mas vigilância… ZERO!
Ontem afogou-se mais um jovem de 15 anos, que poderia ter sido salvo, bastava que no local houvesse um insuflável de uma das muitas corporações dos bombeiros do concelho, não há, estão nos quartéis de prevenção caso aconteça alguma coisa nas praias marítimas que são vigiadas.
Oliveira do Douro é PS, sinónimo de proscrição por parte da presidência (Luís Filipe Menezes) da autarquia.
Entretanto as buscas continuam, estão por lá as rádios, televisões, os mergulhadores dos sapadores do Porto e Gaia, a polícia marítima, da junta, da câmara não apareceu ninguém, até agora.

domingo, 29 de julho de 2012

VIVA A AMÉRICA!

Estados Unidos

Casal impedido de se casar por ser de raça negra 

Um casal do estado norte-americano do Mississipi foi impedido de contrair matrimónio pelo pastor de uma igreja por ser de raça negra, noticiou no sábado o canal de televisão ABC.


Lusa

sexta-feira, 27 de julho de 2012

PALAVRAS QUE ME FAZEM COMICHÃO.


Há vocábulos que me molestam, fome, pobreza extrema, canibalismo, despotismo, pedofilia, relvas/ou Xico-espertismo, e estaleiros.
Estaleiros, porque não acredito que o saraiva tenha chegado a patrão dos patrões sem servir-se, e trair os trabalhadores que representava quando era delegado sindical da Lisnave.
Marco António Costa (que está agora na tv) também me dá vontade de me esgadanhar!

JOGOS OLÍMPICOS OU FEIRA DE ARMAMENTO?



 
As autoridades britânicas esmeraram-se, fizeram passar imagens nas televisões, de todo o mundo, mais parecidas com uma campanha publicitária a uma feira de armamento que dum evento desportivo.
Se eu fosse malévolo diria que os “bifes” estão mortinhos por demonstrar as capacidades das armas que fabricam.
Vi a “BBC”, esta manhã, na hora de tocar os sininhos, muito traje típico dos países da Commonwealth, colonialistas “forever”! 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

A CATALUNHA NÃO É O PAÍS BASCO!

Se o País Basco coubesse todo dentro da Espanha hoje seria independente!
O movimento independentista “ETA” foi “dominado” devido à colaboração das autoridades francesas e espanholas, porque se a intenção de tornar independente a parte espanhola vingasse as ações passariam a centrar-se do lado francês.
O governo espanhol tem agora em mãos a falência de várias regiões, para já a Catalunha quer fazer seus todos os impostos arrecadados na região, adivinha-se mais agitação social, e agora?
Será que os franceses vão dar uma mãozinha?

sábado, 21 de julho de 2012

NO MEU PORTO

Parece que o tempo não passa na agora denominada Travessa da Rua Chã, antiga Viela da Cadeia (existiu ali um cárcere), está tudo na mesma, mantém mesmo o característico cheiro a urina.

O PORTUGUÊS TORNOU-SE NUM GUNA!

Convém esclarecer que a expressão “guna” já não quer dizer o mesmo, antigamente denominava-se assim aquele que viajava pendurado nos transportes públicos sem pagar.
E eu digo que nos tornamos nuns gunas porque não avançamos sem que alguém nos empurre, tornamo-nos nuns pamonhas, somos a vergonha daqueles que lutaram contra a ditadura, estamos sem tomates.
As medidas
de austeridade impostas pelos da “outra senhora” usavam pezinhos de lã não fosse haver merda, hoje anuncia-se um aumento de dois e na realidade é cinco ou seis.
Eu que nunca gostei muito de “nuestros hermanos” dou comigo a admirar aquela gente, nós somos tão morcões que até a PSP tem de usar, nas manifestações, agitadores próprios para justificar a saída do corpo de intervenção.
É que nem um petardo, este país está mesmo fodido!

terça-feira, 10 de julho de 2012

O SENHOR PROFESSOR SEPIÃO.


Sepião era viúvo, um elegante professor primário reformado que tinha passado toda a sua vida de docente na terra dos capões.



Aos 8 anos saíra da aldeia para ir servir de marçano na mercearia de um conterrâneo que estava muito bem de vida, como quem o tinha levado para a cidade lhe dava muito trabalho, pouca comida e de roupa o guarda-pó e pouco mais, por volta dos 14 anos, num dia em que foi a casa dum cliente daqueles bons para receber a conta do mês, fugiu com o dinheiro para Lisboa, arranjou um quarto numa pensão manhosa e empregou-se noutro estabelecimento do mesmo género propriedade de uns galegos.

Foram os novos patrões que o incentivaram a estudar, fez a quarta classe com “uma perna às costas” em três anos, entretanto ganhara no bairro a alcunha de “o flecha”, tal era a mestria e a velocidade que exibia e impunha ao velocípede, “”fugei” que aí vem o flecha”, ouvia-se dizer quando nas imediações se ouvia o estridente toque da campainha da “bicla” da “Casa Ramon”, assim se chamava o estabelecimento de mercearia fina.
Os anos foram-se passando, continuou a estudar, chegou mesmo a participar e a vencer (como atleta federado) algumas provas regionais de ciclismo, quando todos lhe auguravam, mesmo a nível de dirigentes desportivos, um promissor futuro no mundo do ciclismo, Sepião, que já namorava uma filha dos patrões, decidiu estudar para ser professor, casou e foi dar aulas para Freamunde.

Como quase todos os professores primários daquela época, Sepião rapidamente viu avolumar o seu pecúlio, quando, por qualquer razão, alguém decidia (estávamos nos tempos em que se emigrava muito para o Brasil) desfazer-se de bens, a primeira pessoa a quem falavam era a ele.

Entrementes, a sua senhora, de quem nunca teve filhos, morreu cedo com uma doença “debaixo”, dizia-se. Nunca voltou a casar, vivia com uma criada que tinha enviuvado cedo, que depois da morte da patroa teve dois filhos registados de pai incógnito apadrinhados no batismo pelo patrão, eram a cara escarrada dele (Sepião).

Ainda no tempo em que dava aulas ia à terra de quinze em quinze dias, controlava a produção dos terrenos que tinha entregues a caseiros, e durante as férias grandes por lá permanecia os três meses, no tempo das vindimas, que ali aconteciam tardiamente, saía de madrugada, no seu “Volvo marreco” para ir dar classes, e voltava pelo lusco-fusco para controlar a produção.

Já reformado foi ele quem tomou a iniciativa de se dirigir à câmara no propósito de conseguir que nomeassem um regedor para ver se acabavam as rixas que eram quase diárias pelas mais diversas razões, viu frutificar os seus intentos, houve nomeação e até fizeram uma cerimónia de tomada de posse com a presença do presidente da autarquia, comandante do posto da guarda, banda e tudo, adivinhem lá quem deu indicação de quem deveria ser escolhido como autoridade lá do sítio, pois, foi ele mesmo, claro que contou com o apoio incondicional do senhor abade.

À aldeia, a correspondência chegava por mão de alguém que fosse à feira semanal à vila, deslocava-se ao posto dos “CTT” dizia que ia buscar as cartas e, como o meio era pequeno toda a gente se conhecia, trazia-as, às vezes chegavam com especto de terem sido abertas, se quem as tinha trazido fosse alguma pessoa que reconhecessem não ser de confiar totalmente não lhe voltavam a pedir o favor, outras vezes, se o portador fosse considerado figura seriíssima, sussurravam, “deve ter sido a PIDE”. Os sobrescritos eram pousados no balcão da tasca e por lá ficavam, alguns nunca eram reclamados, quando estivessem já amarelados eram pendurados num prego que havia na retrete situada no quintal das traseiras, voltavam a ser uteis.
Para acabar com a situação, lucubrando que alcançaria mais alguns proventos, Sepião candidatou-se a agente dos correios, falou com um amigo bem colocado na capital e passado menos de um mês pendurou a caixa (marco) do correio na parede frontal de sua casa, mandou adaptar um janelo na janela original que ladeava a porta de entrada, assim não precisava de abrir a porta nem levantar a janela, abria e fechava o postigo, mandou mesmo fazer um telheiro em chapa canelada, pintada de vermelho onde se lia “CTT” com a gravura de um cavaleiro a tocar gaita, se chovesse os utentes estavam salvaguardados.

Sepião era uma pessoa muito bem conceituada, na missa, o lugar dele era na primeira fila no primeiro lugar junto à coxia do banco do lado direito como quem está virado para o altar, antes de começar a celebração o sacristão assomava-se à porta da sacristia para espanar muito bem a almofadinha em forma de oito onde ele se ajoelhava, e se por qualquer razão ele não estivesse presente ninguém ousava ocupar o lugar.

Como por todo o país as pessoas eram analfabetas, a correspondência também não era muita por isso mesmo, mas a pouca que chegava ficava muitas vezes por ler, outras vezes era lida quando lá por casa aparecia alguém instruído que fizesse o favor, que era sempre pago com uma galinha, uma garrafa de vinho, ou qualquer coisa que soubessem ser do agrado do ledor.

Furão, Sepião passou a ler as cartas a quem quisesse a troco de dois tostões, e cinco a quem desejasse que lhas escrevessem, era ele ainda quem vendia as folhas de papel e os envelopes que comprava às caixas, a quem aparecesse com os apetrechos comprados mais barato na mercearia ele não redigia, alegando que não se dava a escriturar noutro papel a não ser no dele, e assim cobrava mais ainda.

Passadas algumas semanas do início das novas funções sabia a vida de parte das gentes do lugar, com o tempo, tomou conhecimento da vivência de quase todos.

A sua ganância, aleada a algum altruísmo, diga-se, foi o seu fim.

Rosalinda, mesmo analfabeta, era a catequista da aldeia, limitava-se a ensinar as crianças a rezar, o catecismo lia-o o senhor padre. Mulher dos seus quarenta e poucos anos já trazia cinco filhos, todos pequenos, agarrados à saia, o último tinha nascido há pouco mais de um mês. Era casada com um pedreiro famoso, não só pela arte de trabalhar a pedra como pela sua força muscular, para levantar um calhau grande eram três de um lado e ele sozinho do outro, dizia-se que estava proibido de entrar num café da vila por, por aposta, ter levantado até à cintura um “bilhar russo” dos grandes, um feirante que na altura da festa apareceu com um daqueles comboios que se atirava, fazia um looping e, se com força suficiente, chegava a um castelo fazendo rebentar uma bomba, só ganhou uns cobres até chegar o marido da Rosalinda, ele agarrou no punho que havia na traseira do trem, tomou lanço, uma, duas, três vezes e zuuuummmm… Pum fez a bomba, CATRAPUM, fez a engenhoca ao cair no chão toda desfeita.

Rosalinda tinha uma irmã casada que vivia no Porto que foi à festa, abriu-se com ela contando-lhe o receio que sentia de voltar a engravidar, logo ela se prontificou a, chegando a casa, lhe meter alguns preservativos num envelope, e assim fez.

A meio da manhã chegava a ambulância dos “CTT” e de imediato Sepião lia em voz alta o nome dos destinatários, a nova chegava rápido a quem fosse contemplado, só da parte da tarde ele procederia à leitura.

Um puto a correr chegou-se à janela da casa de Rosalinda e gritou, “senhora Rosalinda, há carta para si”, “ai os preservativos, e eu que não avisei o senhor Sepião que a próxima não era para abrir” pensou ela, ainda considerou pedir ao marido para ir ele buscá-la mas desistiu, era coisa de mulheres, não queria correr o risco de levar alguma lambada.

Até a comida do almoço lhe saiu salgada, e ouviu uma bronca do homem por isso, tal era o estado de nervos em que ficara, até a saliva não lhe ia para baixo.

Deu tempo para não encontrar ninguém e lá foi pela carta, bateu à porta e foi atendida pela criada, “espere um bocadinho, o senhor Sepião está ali a fazer uma coisa que não pode deixar a meio e já a atende”, voltando a fechar, passados dois ou três minutos a porta reabriu-se, era a criada que com uma cesta no braço lhe disse, “vou num instante à venda da Melita e já volto, o senhor Sepião já aí vem”, deixando a porta entreaberta.

Passados instantes ouviu-se um “entra”, e ela entrou, estranhou logo o facto do senhor Sepião estar de robe e não se lhe adivinhar nada por debaixo, ele estava com o envelope já aberto na mão, ela esticou a mão e disse-lhe (com a voz trémula) “essa não quero que ma leia, dê-ma cá se faz favor”.

Sepião suava, tinha os olhos esbugalhados, nos cantos da boca viam-se sinais de espuma, estava desvairado, esticou pouco a mão que detinha o envelope obrigando-a a chegar-se mais a ele, e, de repente agarrou-se a ela forçando-a a cair de costas na carpete com o corpo dele em cima do dela.

Ao cair Rosalinda bateu com a cabeça, ficou meio atordoada mas não perdeu o conhecimento, gritou, gritou, e debateu-se, os segundos pareciam horas e nunca mais ninguém aparecia, ele já lhe tinha rasgado a blusa e arrancado o sutiã, agora enquanto com uma mão tentava tapar-lhe a boca, com a outra tentava levantar-lhe as saias. Sepião tinha já a cara toda arranhada pelas unhas da Rosalinda mas parecia insensível à dor, não parava, até que ela abrindo a boca lhe apanhou dois dedos e ferrou de tal maneira que lhos traçou, Sepião soltou um aflitivo grito de dor, tirou a mão das partes baixas da Rosalinda e aconchegou a outra que ela lhe ferrara com fúria animal.

Ela aproveitou ele ter aliviado a pressão e fugiu, cá fora a rua estava deserta, ninguém tinha dado por nada, desatou a correr para casa, vendo-a num estado lastimável uma vizinha deitou-lhe a mão, outra que também presenciou a correria juntou-se-lhes.

Rosalina ainda pensou esconder o que se tinha passado, mas sabia que se o fizesse ia ser pior para ela, que justificação daria ao homem para as pisaduras que tinha nas faces e nos peitos?

Entretanto Sepião metera-se no carro e saíra de casa, o marido de Rosalinda que só costumava chegar a casa pelo pôr-do-sol, entrou esbaforido de rompante em casa da vizinha, já sabia de tudo, conforme entrou, voltou a sair, foi a casa e voltou de caçadeira na mão numa correria em direção à casa do violador, alguém lhe disse que já tinha fugido, desvairado, esvaziou uma cartucheira, na porta, janelas, no cão que estava amarrado à casota, quatro ovelhas, duas cabras, um bode, duas vacas de leite, coelhos e galinhas, nem o corvo de estimação de quem Sepião muito se orgulhava (porque até sabia falar francês) escapou, tudo morto, safaram-se dois ganços que andavam soltos e fugiram com o barulho dos tiros, e a criada que tinha ido à venda, avisada por alguém refugiou-se em casa do padre.

Os amigos não se chegaram enquanto não estourou o último cartucho, depois rodearam-no e levaram-no para o tasco do Paulino, só havia uma maneira de o segurar, embebedando-o, mas até o conseguirem, foram-se duas mesas três bancos e os queixos do Rocha que, tentando acalmá-lo lhe disse, “tem calma pá, ele não conseguiu fazer-lhe nada”.


Era já quase dia quando adormeceu, ele e mais cinco que por solidariedade o acompanharam na “piela”, conseguiram mantê-lo embriagado três dias, até que o padre tomou a seu cargo a gestão do caso. Acompanhou-o ao posto da guarda para formalizar a queixa e levou-o a falar com o médico que tinha assistido a mulher e lhe confirmou que não tinha havido violação, entretanto do Porto tinha chegado a irmã da Rosalinda para, por uns tempos, lhe fazer companhia.

Na aldeia vivia-se uma paz podre, temia-se que Sepião voltasse ou que o marido, que passou a andar sempre a “meio-pau”* fizesse alguma loucura, em casa da Rosalinda já restavam poucos móveis direitos, nas tascas já não era bem-vindo pois tornara-se no terror de copos, garrafas e não só.

A coisa estava neste pé quando, uma noite, já altas horas da madrugada, parou um carro desconhecido em frente à casa de Sepião, para pasmo dos que foram ver quem era, lá estava o profanador com mais quatro tipos grandalhões, primeira coisa a fazer, manietar o marido da Rosalinda, depois tocou o sino a rebate.

Quase não houve reação dos capangas perante o número de contendores, passados dois minutos, no máximo, estavam todos inanimados no chão, estava quase a raiar o dia quando os bombeiros, acompanhados da guarda, os conduziram ao hospital. Nesse mesmo dia, a meio da manhã, Sepião atirou-se do quarto andar, caindo em cima de uma cadeira de rodas de onde, há dois minutos, se tinha levantado a mãe do presidente da câmara, teve morte imediata.


Estava limpa a honra do marido da Rosalinda, mas ficou o vício do álcool, nunca mais foi o mesmo, foi-se a força, até, para dar ao zarelho nas feiras.

Rosalinda passou a viver desolada, preferia não ter saia suficiente para os filhos se agarrarem, nunca mais engravidou, e os preservativos causadores da sua desgraça continuaram todos dentro do envelope.

PS:
Na comoção da narrativa esqueci de referir que Sepião, logo que juntou dinheiro suficiente, enviou ao primeiro patrão o numerário que lhe havia roubado, acrescido de mais algum juntamente com um pedido de desculpa.
Ironicamente foi o homem, já muito velhinho, que o havia tirado da pasmaceira da aldeia, o único patrício que se deu ao trabalho de se deslocar a Freamunde onde viviam os dois filhos de Sepião, se realizaram as cerimónias fúnebres e onde foi a enterrar.

* Meio bêbado

NOTA: Esta história, e a do “Eufrásio”, pretendem ser uma singela homenagem à aldeia, e suas gentes, onde nasceu minha mãe.
Retrata de forma, exageradamente, ficcionada a vivência dos habitantes de uma terrinha da beira alta encravada entre serras, onde a luz chegou em finais dos anos 60 do século passado e a estrada só foi alargada e alcatroada após o 25 de Abril de 1974 pela tropa.
Tentem imaginar uma localidade após a Revolução dos Cravos, onde durante vários anos, não foi permitida (nas campanhas eleitorais) a passagem de caravanas dos partidos de esquerda, só “CDS” e “PPD”, o sino tocava mesmo a rebate e os “comunas” tinham de dar a volta.

sábado, 7 de julho de 2012

NO PORTO JÁ "CHOVEU".

"Editor de guia turístico puxou a orelha (esquerda) a Rui Rio"

"A inauguração da nova Praça das Cardosas, na Baixa do Porto, terminou com um incidente entre o presidente da câmara, Rui Rio, e Manuel Leitão, empresário e editor do guia de restauração "Porto Menu", que tem na capa uma imagem de uma fachada do Mercado do Bolhão onde se lê a frase "Rio és um FDP"."

"Ao abandonar ontem, ao fim da tarde, a nova praça, Rio foi inesperadamente abordado pelo empresário, que se abeirou dele e lhe perguntou: "Sabe quem eu sou?" Ao mesmo tempo, Manuel Leitão agarrou e torceu a orelha esquerda do presidente da câmara."

(in Publico)

quarta-feira, 4 de julho de 2012

DESPEDIDO

Mais uma voz do NORTE silenciada.

A direção de informação da “RTP” decidiu prescindir da participação de Júlio Machado Vaz como comentador desportivo no programa “Trio de Ataque”.

Muito tranquilo, como é seu timbre, Júlio M. Vaz despediu-se dos telespetadores mencionando que, de adeptos de todos os clubes recebeu parabéns pela postura adequada que manteve no programa, onde defendia o Sport Lisboa e Benfica.
Como foi o único que se despediu, depreende-se que Rui Oliveira e Costa continuará a defender o Sporting Clube de Portugal, e Miguel Guedes o Futebol Clube do Porto, Hugo Gilberto também deverá continuar como moderador.

Na mudança, não é difícil calcular que terá partido do orelhas (Luís Filipe Vieira) alguma forma de pressão sobre a direção de informação, primeiro porque o Júlio é do Porto, segundo porque não alinha na “boatagem “ própria dos “patrões” do salão de festas do FCP, terceiro (quiçá a razão mais forte), porque estando (JMV), intelectualmente, muito acima do presidente e dos comentadores dos lampiões, estes deviam sentir-se incomodados.
Aguarda-se agora para ver a cara do parvalhão recrutado para o substituir, não deve diferir muito do anedótico Rui Gomes da Silva, estou mesmo tentado a arriscar o nome de João Malheiro que há muito anda aos caídos, eu gostaria mais de Ricardo Araújo Pereira, sempre é cómico, António Pedro Vasconcelos está xexé, e João Gobern não é porque saiu há muito puco tempo.
 
A ver vamos.

terça-feira, 3 de julho de 2012

UM PAÍS ESTÁ PODRE QUANDO A IMPUNIDADE É APANÁGIO DO ESTADO!


Para encerrar a linha de comboios do Tua com vista à construção de uma barragem o Governo elaborou um plano de mobilidade destinado a compensar as populações que ficaram privadas do comboio, para o efeito a “CP-Caminhos de Ferro de Portugal” pagava 125 mil euros à empresa “Metro de Mirandela”, e esta subcontratava táxis que se ocupavam da locomoção dos utentes da via-férrea encerrada.
No passado domingo, 1 de julho, a linha do Tua foi (oficialmente) considerada encerrada, daí em diante acabou a responsabilidade da “CP”, logo, terminou o pagamento compensatório ao “Metro de Mirandela” que, sem possibilidade de circular entre Cachão e Tua, e sem maneira de nesse trajeto deslocar os passageiros, vê ameaçada a rentabilidade da sua atividade.
José Silvano, autarca de Mirandela, ameaça encerrar o “Metro” e acusa o Governo (composto maioritariamente por elementos do seu partido político) de incumprimento.
A linha do Tua tornou-se, a partir de certa altura, num caso de polícia sem queixas formalizadas, os acidentes que vitimaram várias pessoas foram sempre atribuídos a causas naturais quando na realidade se deveram à falta de manutenção da via, acidentes que ajudaram (muito) a abreviar o seu encerramento.
Pode-se hoje deduzir que houve negligência propositada, que se matou gente para abrir caminho a interesses economicistas, portanto, existiram crimes que ficaram impunes.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O EUFRÁSIO DA CREMILDE FOI PRESO (ficção)



Não sei se o nome Paciência era próprio se alcunha, sei que era assim chamado o, há muito falecido, marido da senhora Cremilde, que morreu relativamente novo, ainda hoje na aldeia não se usa o costumeiro “morreu como o cão do Miguel”, mas, “morreu como o Paciência”, quando querem dizer que alguém faleceu de forma estranha e ou violenta.

Na aldeia todos sabiam que a Cremilde “acertava o passo” ao marido, não o diziam “à boca pequena”, frequentemente, e em público, qualquer fedelho perguntava, “ó Cremilde, já fod..te as trombas ao teu homem hoje?”. Ela não se amofinava, sorria até, demonstrando alguma vaidade.

O pobre desgraçado deve ter nascido fadado para a desgraça, lá em casa era o único que “vergava a mola”, andava à jorna para toda a gente, e quando não havia trabalho fora ocupava-se de uns terrenitos de onde tirava o sustento para ele, para a mulher e dois filhos.

Um belo dia, logo de manhã cedo, vi-o passar junto à casa da minha tia, ia com um braço todo ensanguentado, à tarde voltou da sede do concelho com o mesmo braço engessado, disse-se que o burro lhe ferrara. Nesse mesmo dia o Paciência foi para longe abandonar o burro, mas ao outro dia, à noite, o burro voltou e pôs-se a zurrar em frente à casa para lhe abrirem a porta da loja. Fazendo jus ao nome, o marido da Cremilde acolheu-o novamente, antes não o tivesse feito, passado pouco tempo o asnático voltou a ferrar no dono, só que desta na cabeça, matando-o, logo começou o falatório, todos na aldeia responsabilizavam este ou aquele da casa, menos o burro, pela morte do desgraçado.

Certo é que veio a guarda, uma ambulância, levaram o corpo para autopsiar, fez-se uma coleta, enterrou-se o homem, o burro permaneceu, e a vida continuou.

Da união do falecido com a Cremilde haviam nascido dois rebentos, que se dizia poderem ser filhos de qualquer um da aldeia menos daquele a quem chamavam pai, o Josué, o mais velho que ainda novo, para fugir à tropa, foi a salto trabalhar para as minas de carvão das Astúrias e por lá morreu com a doença do silicone nos pulmões, nunca mais regressando à terra que o viu nascer, nem mesmo depois de morto, e o Eufrásio.

Cremilde era uma mulheraça de finas feições, se não se reparasse na bigodaça, pró alto, anca e peitos volumosos que fazia questão de exibir fizesse frio ou calor.

Era conhecida nas terrinhas todas, ali à volta, onde houvesse feira, ela ia a todas, ia e vinha, outras vezes ia e ficava por lá uns dias quando era apanhada em flagrante naquilo que melhor sabia fazer, roubar carteiras, constava que nunca foi parar a uma prisão porque os guardas a obrigavam a devolver o que tinha roubado conseguindo assim que a perdoassem, depois mantinham-na no posto por uns tempos até que, começando pelo comandante seguindo-se as praças, todos se servissem dela até ficarem satisfeitos, e ela não se importava, pois nos dias de festa lá da terrinha os guardas passavam sempre por casa dela, depois da procissão lá estavam os cavalos brancos amarrados na argola da tasca do Paulino que ficava mesmo defronte.

Nas suas andanças pelas feiras, Cremilde fazia-se sempre acompanhar pelo filho mais novo, adivinhava-se o futuro do pequenote.

Por volta dos 13/14 anos, Eufrásio tornou-se num adolescente extremamente violento, batia em todos, novos, velhos, homens, mulheres e crianças, chegou mesmo a dar um enxerto de porrada ao sacristão, ao coveiro, que era seu tio, tentou enterrá-lo numa cova que estava a abrir para o Megilde que se tinha suicidado com remédio do escaravelho, não tivesse o Arménio (coveiro) gritado a plenos pulmões por socorro e ia “desta para melhor”.

Eufrásio arriou impunemente em toda a gente menos no padre e no regedor, até que um dia abriu a cabeça ao primeiro e o segundo espetou com ele num reformatório onde permaneceu até à idade da tropa, nem foi a casa, assentou praça diretamente.

Iniciou-se então uma nova rotina, com regularidade aparecia na povoação um jipe da tropa, vinham buscar o recruta que saía de fim-de-semana e não regressava ao quartel, por lá ficava uns tempos de castigo até que lá aparecia novamente o carro com a polícia militar.

Feita a recruta o nosso herói foi mobilizado e foi “bater com os costados” na Guiné, devido aos constantes castigos por lá ficou quase cinco anos, quando regressou trazia pelo braço uma senhora da cidade, era uma das madrinhas de guerra que, graças aos aerogramas que eram de borla, conseguiu engatar, e com ela casou passado muito pouco tempo.

Entretanto Cremilde, sua mãe, tinha desaparecido, ninguém se importou, constava que tinha fugido para o Brasil com alguém da terra ao lado que nunca mais ligou à mulher e aos filhos.

Como nunca tinha feito nada na vida e sem qualquer fonte de rendimento, Eufrásio decidiu tornar-se proxeneta da própria esposa, como fazia com sua mãe voltou às feiras, obrigava a mulher a prostituir-se, e se o cliente estivesse endinheirado roubava-o.

A senhora, cujo nome nunca soube, conseguiu, numa ocasião em que o marido estava a emborrachar-se no tasco, ir a casa do Sepião que era quem recebia o correio e tinha telefone público, telefonou para casa de familiares a contar a sua desgraça e nesse mesmo dia chegou um carro de praça que a levou, nunca mais o Eufrásio lhe pôs as vistas em cima.

Sem mulher nem dinheiro resolveu emigrar, passado algum tempo, duma povoação pegada, veio a novidade, alguém que também tinha decidido tentar a sorte no estrangeiro contou que tinha trabalhado com ele no Iraque, andava nas obras, a construir os palácios de Saddam, por lá, ou por outras paragens ficou muito tempo até que voltou, ninguém o reconhecia, magro, velho, mal-ajambrado, e sem uma mão, voltou maneta.

Contou a um primo que o apanharam, lá, no Iraque, a roubar e… Zás, mão direita fora.

Sem a mão que tinha arte, para roubar, decidiu dedicar-se à pedincha, andava de terra em terra a bater de porta em porta, mas levava com ele a fama que tinha granjeado em novo, ninguém lhe dava nada, antes pelo contrário, corriam-no quase sempre à pedrada.

Voltou a desaparecer uns tempos, mas como quem é vivo sempre aparece, alguém da terra o viu a mendigar em Lisboa exibindo o sítio da mão que lhe amputaram no Iraque.

Os anos passaram e o Eufrásio acabou recolhido numa instituição de beneficência, mais um par largo de anos se passou até que, ontem, lá estava uma notícia no jornal, Eufrásio tinha sido detido no albergue onde sobrevivia, tinha molestado sexualmente uma assistente social idosa deixando-a às portas da morte.

O jornal andou de mão em mão, o Eufrásio ia ser patife até morrer,

Com graça alguém disse, “vá lá, anda com sorte, está cá, olha se fosse no Iraque”.   

domingo, 1 de julho de 2012

 
 
 
 
 
 
 
 
Já perdemos a glória
Impõem-nos silêncio e calma
Querem tirar-nos a memória
Já só os sapatos têm alma.